quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Este tempo de invernia, traz a recordação de uma cidade até à pouco tempo esquecida por "detrás os montes", Bragança, onde o Inverno de tão frio se fazia quente, em calor humano, frente à lareira numa longa e deliciosa noite, culminando quiçá com uma alheira assada, com histórias para contar gravadas na memória de um tempo que passa devagar onde o stress não pediu a permissão para entrar.
E por falar em frio, lá "apanhei" a gripe A, que asseguro ter sido a mais mansinha desde há 5 anos; venha a A sempre...Tão ricos vão ficar os senhores da industria farmacêutica!
Acordem: - a fome mata uma criança a cada dez segundos; ainda em Portugal morrem 5 a 6 seis doentes por dia de cancro colorectal, um dos cancros mais curáveis... e ainda falam da gripe A.
A desumanidade do espírito humano, num jogo de interesses meramente materialistas.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

O DESPERTAR DA SEXUALIDADE


Ontem na hora de almoço, na mesa de um refeitório, um grupo de colegas de trabalho, onde as primaveras da vida diferenciavam em média umas vinte e cinco primaveras, foram recordadas pelas mais “cotas”, algumas passagens da vida, sempre boas de recordar e partilhar. É claro a adolescência em particular talvez por todas nós já termos filhos adolescentes. Assim evoco um episódio no inicio da década de 70, no despertar da minha adolescência.
Tudo aconteceu numa cidade do interior alentejano com uma garota dos seus 11 a 12 anos, eu mesma, ainda sem qualquer pronúncio de quem já iniciara a estrada do pecado original, que ao cumprir a penitência da ida à missa ao domingo, mais precisamente, ao chegar a hora da confissão dos pecados cometidos na ultima semana, era sempre confrontada, na minha interioridade:-Que pecados terei eu cometido? Será que tenho que inventar algum, senão o Sr. Padre não acredita? Bem…eis que surge uma pergunta, pelo Sr. Padre de serviço, que me deixou confusa.
-Então minha filha, costumas ter brincadeiras feias com rapazes? Fiquei aflita e respondi: - Sim Sr. Padre esta semana andei a jogar ao “ring” e à “apalhada”…e ainda …tentei jogar futebol com eles. Saiu-me muito a custo esta confissão devido ao imperativo do medo. Meu Deus, como é que ninguém me disse até aquela data que brincar com rapazes era um pecado? Na minha intuição sempre apurada, achei que aquela pergunta poderia esconder outras coisas. Mas o quê?
Cheguei a casa e contei o sucedido à hora de almoço, na busca de respostas às dúvidas criadas naquela confissão: - Vejo um pai furioso e raivoso, gritando e ameaçando… Vou partir o focinho aquele padre.
A partir desse dia comecei a investigar quais eram as coisas feias que se podiam fazer com os rapazes…e foi o despertar para a minha sexualidade…Obrigada Sr. Padre, pela dica.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

ÚTERO E TESTÍCULOS



Num descanso merecido de toda uma semana de trabalho, a ida ao cabeleireiro torna-se numa passagem obrigatória para um relax com direito a uma massagem do couro cabeludo, que culmina na saída com uma alma mais lavada. De um modo geral, consigo abstrair-me das conversas que me rodeiam, dando atenção apenas à minha cabeleireira, tratando-se já como uma amiga de longa data, que desde há alguns anos contribui para o meu visual sempre renovado, por umas mãos que modelam cada mecha de cabelo mesmo o mais rebelde, tal como o meu. Em cada movimento é notório todo o carinho e encantamento de cada gesto com muita alma e coração, na desenvoltura do seu trabalho. Nesse dia, em particular a Mariazinha, assim chamada essa Fada dos Cabelos, transparecia com um olhar ar melancólico a rasar um desalento. Acabaria por desafar a razão da sua angustia: - a sua ida ao Ginecologista. Assim durante a consulta e após vários perguntas e exames foi-lhe proposto não uma mas duas cirurgias:- "operar a bexiga descida" e ainda uma histerectomia. Quando pergunta ao Sr. Dr. qual o problema que tem o seu Útero é-lhe respondido:-Nada, mas assim também não tem mais nenhum problema se for operada. Ao que a Mariazinha no seu doce ar, confidencia:- Sr. Dr., eu estava preparada para a a operação à bexiga mas não ao útero. Sem a mais pequena hesitação ter-lhe-á perguntado:-Para que quer seu útero? E com esta frase vivênciada, os seus olhos ficam rasos de água. Perante isto a minha reacção foi imediata. E a Mariazina não lhe perguntou para que quer ele os Testículos? Um ar de espanto e de imediato um suspiro de alivio. Tenho a certeza que a resolução deste caso foi fácil a partir dessa hora.

domingo, 11 de outubro de 2009



As coisas simples da vida

É do nascimento das pequenas coisas que fazem a nossa alma feliz. Os números nada dizem, pois a História da Humanidade não se fez com números, mas sim de Acções, de Amor e de Paz. Mesmo os erros inerentes à nossa história devem sempre ser vistos como aprendizagem do que não se deve repetir. É nesta entrega, neste alivio da dor e na tranquilidade que podemos ajudar os que nos rodeiam. E é neste neste círculo que reside a partilha da nossa Paz interior e da Felicidade. E hoje deixo aqui o meu carinho envolto nestes malmequeres, a todos os que me tocaram na continuidade deste novo percurso da minha vida.

quarta-feira, 15 de abril de 2009



Num ritual de encontro de amigas e quando se esgotou os temas mais requintados de intelectualismo eis que surgem os signos desde a astrologia ao signo chinês passando pela mitologia indiana; dou comigo coroada de DEUSA DURGA, que basicamente reflecte a base da minha personalidade:
- Nem se fale em injustiças perto dela.
- Durga aparece sempre montada num leão ou num tigre, lembrando a força de sua dedicação em favor da lei e da ordem.
- Protectora da moralidade e resoluta diante dos desafios, esta deusa poderosa certamente vive dentro de você.


Durgha na tradição hindu:

-A Grande Deusa Durgha é dita ser requintadamente bela. Sua imagem é extremamente brilhante, com três olhos como lótus, dez poderosas mãos, cabelos exuberantes com formosos anelados, um vermelho-dourado brilhante de sua pele e um quarto crescente em sua testa. Ela usa um brilhante traje azul marinho que emite raios. Seus ornamentos foram lindamente esculpidos em ouro, cravejados de pérolas e pedras preciosas. Cada deus também lhe deu a sua arma mais poderosa, o tridente de Rudra, o disco de Vishnu, o raio de Indra, kamandal de Brahma, gada de Kuber, etc. Himalaia presenteou-lhe com um feroz leão dourado. A forma de Durgha foi criada como uma deusa guerreira para combater um demônio.



O pior é quando se têm vários demónios a combater: - não existem deuses que cheguem.

sábado, 11 de abril de 2009

A Paz do Meu Desassossego


Será talvez prazenteiro dizer que foi num momento de paz que vim a este mundo, numa planície dourada de um Alentejo esquecido na sua interioridade.
Um dia quente de verão e de amor.
Cresci entre a alternância de uma planície verdejante e dourada ao sabor das estações.
De memória bem fresca é o cheiro da terra molhada, no inicio primaveril e a chegada das andorinhas, que me desafiavam em voos rasantes, quase se atropelando na sua algazarra de sons estridentes, sedentas para me contarem as histórias, acontecidas lá muito longe, em castelos encantados de princesas e príncipes com desencontros, mas onde tudo terminava envolto em sussurros e juras de amor eterno.
Crescia cheia de certezas…
Certeza que uma nuvem branca brilhante me seguiria dando-me água, quando o deserto escaldante me sufocasse, me daria sombra num dia solarengo e me daria encanto num campo de trigo e papoilas envolta no cheiro a flores silvestres.
Cheia de certeza que uma estrela indicaria o meu caminho, de altos e baixos, de curvas e rectas, um caminho de luz com as cores do arco-íris.
Branco como o sonho de sempre poder sonhar…
Vermelho de um vulcão em lava incandescente na luta por um espaço…
Laranja numa rede entre dois pinheiros no merecido descanso do guerreiro…
Amarelo de uma brisa suave envolta no calor de um raio solar…
Verde no sentimento nobre e vivo das emoções…
Azul claro de uma brisa fresca e obsidiante…
Azul turquesa de um dever cumprido…
Lilás… por descobrir.