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sábado, 11 de abril de 2009

A Paz do Meu Desassossego


Será talvez prazenteiro dizer que foi num momento de paz que vim a este mundo, numa planície dourada de um Alentejo esquecido na sua interioridade.
Um dia quente de verão e de amor.
Cresci entre a alternância de uma planície verdejante e dourada ao sabor das estações.
De memória bem fresca é o cheiro da terra molhada, no inicio primaveril e a chegada das andorinhas, que me desafiavam em voos rasantes, quase se atropelando na sua algazarra de sons estridentes, sedentas para me contarem as histórias, acontecidas lá muito longe, em castelos encantados de princesas e príncipes com desencontros, mas onde tudo terminava envolto em sussurros e juras de amor eterno.
Crescia cheia de certezas…
Certeza que uma nuvem branca brilhante me seguiria dando-me água, quando o deserto escaldante me sufocasse, me daria sombra num dia solarengo e me daria encanto num campo de trigo e papoilas envolta no cheiro a flores silvestres.
Cheia de certeza que uma estrela indicaria o meu caminho, de altos e baixos, de curvas e rectas, um caminho de luz com as cores do arco-íris.
Branco como o sonho de sempre poder sonhar…
Vermelho de um vulcão em lava incandescente na luta por um espaço…
Laranja numa rede entre dois pinheiros no merecido descanso do guerreiro…
Amarelo de uma brisa suave envolta no calor de um raio solar…
Verde no sentimento nobre e vivo das emoções…
Azul claro de uma brisa fresca e obsidiante…
Azul turquesa de um dever cumprido…
Lilás… por descobrir.