
Ontem na hora de almoço, na mesa de um refeitório, um grupo de colegas de trabalho, onde as primaveras da vida diferenciavam em média umas vinte e cinco primaveras, foram recordadas pelas mais “cotas”, algumas passagens da vida, sempre boas de recordar e partilhar. É claro a adolescência em particular talvez por todas nós já termos filhos adolescentes. Assim evoco um episódio no inicio da década de 70, no despertar da minha adolescência.
Tudo aconteceu numa cidade do interior alentejano com uma garota dos seus 11 a 12 anos, eu mesma, ainda sem qualquer pronúncio de quem já iniciara a estrada do pecado original, que ao cumprir a penitência da ida à missa ao domingo, mais precisamente, ao chegar a hora da confissão dos pecados cometidos na ultima semana, era sempre confrontada, na minha interioridade:-Que pecados terei eu cometido? Será que tenho que inventar algum, senão o Sr. Padre não acredita? Bem…eis que surge uma pergunta, pelo Sr. Padre de serviço, que me deixou confusa.
-Então minha filha, costumas ter brincadeiras feias com rapazes? Fiquei aflita e respondi: - Sim Sr. Padre esta semana andei a jogar ao “ring” e à “apalhada”…e ainda …tentei jogar futebol com eles. Saiu-me muito a custo esta confissão devido ao imperativo do medo. Meu Deus, como é que ninguém me disse até aquela data que brincar com rapazes era um pecado? Na minha intuição sempre apurada, achei que aquela pergunta poderia esconder outras coisas. Mas o quê?
Cheguei a casa e contei o sucedido à hora de almoço, na busca de respostas às dúvidas criadas naquela confissão: - Vejo um pai furioso e raivoso, gritando e ameaçando… Vou partir o focinho aquele padre.
A partir desse dia comecei a investigar quais eram as coisas feias que se podiam fazer com os rapazes…e foi o despertar para a minha sexualidade…Obrigada Sr. Padre, pela dica.
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